quarta-feira, 4 de maio de 2016

Brisa


Óleo sobre Tela 80x60cm
"Brisa"
Rui Pascoal - 2016

Meu amor é marinheiro
E mora no alto mar
Seus braços são como o vento
Ninguém os pode amarrar

Quando chega à minha beira
Todo o meu sangue é um rio
Onde o meu amor aporta
Meu coração um navio

Meu amor disse que eu tinha
Na boca um gosto a saudade
E uns cabelos onde nascem
Os ventos e a liberdade

Meu amor é marinheiro
Quando chega à minha beira
Acende um cravo na boca
E canta desta maneira

Eu vivo lá longe, longe
Onde moram os navios
Mas um dia hei-de voltar
Às águas dos nossos rios

Hei-de passar nas cidades
Como o vento nas areias
E abrir todas as janelas
E abrir todas as cadeias

Meu amor é marinheiro
E mora no alto mar
Coração que nasceu livre
Não se pode acorrentar

(Manuel Alegre)

18 comentários:

  1. Um elo poema do Manuel Alegre, muito bem cantado por Amália.
    Quanto à tela, sei que o tempo começa a estar mais quentinho, mas saber esperar é uma grande virtude.Mas o que poderá esperar-se de alguém com um barco de papel sobre a cabeça?!...
    Gosto da expressão de contentamento e da roupa estendida sobre a praia. :-)
    Gostei muito! Parabéns.
    xx

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    1. Quem não esperou fui eu. O corte de cabelo
      Primavera Verão já está dado.
      :)

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  2. Gosto muito da poesia do Manuel Alegre e tu soubeste ilustrá-la muito bem!

    Beijinhos, Rui :)

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    1. Eu bem me esforço por ser como o Manuel... alegre.
      :)
      Bjs. Maria.

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  3. Quando vejo
    tua tela
    lembro a voz de Adriano
    e Alegre dentro dela

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    1. Isto é apenas uma confidência
      Esses dois acompanham-me desde a adolescência

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  4. Gosto da tela e do poema do meu conterrâneo.
    Aquele abraço

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    1. Coimbra, (Pedro) cidade que tem canto
      e muito encanto.
      Cordiais saudações.

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  5. E a brisa faz soltar as amarras, faz da roupa bandeiras desfraldadas e sem pudores soltamos os navios dos nossos sonhos e navegamos livres.

    Gosto muito da poesia de Manuel Alegre e da alegria das suas pinturas.

    Bjnhs

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    1. Somos efectivamente um país de marinheiros...
      :)
      Bom fim de semana!

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  6. (??) ... O que nasce primeiro, Rui ?... O conjunto está perfeitamente interligado, mal creio que nasce primeiro a pintura e depois a adaptação do poema, Não é )...
    Continuo a gostar muito dos olhares ! :)))

    Abraço !

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    1. Nem sempre é assim, dou um exemplo: "O Poeta e o Pintor" (oferecido a um amigo/poeta) as palavras antecederam a pintura.

      http://tintacompinta.blogspot.pt/2016/03/o-poeta-e-o-pintor.html

      Cordiais saudações.

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  7. Os marinheiros parte, mas sempre voltam. Assim como o amor verdadeiro... :)

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  8. Brisa e as roupas no estendal estão direitinhas?

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  9. Sim estão direitinhas... mas não estão secas.
    :)

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  10. Adoro aquela expressão tão malandra, e inocente ao mesmo tempo... e aqueles olhos verdes... fazem com que os marinheiros... tenham muitas saudades de voltar a terra...
    Adorei a pintura!!!
    Abraço! Boa semana!
    Ana

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    1. Ou então... de nunca mais partir.
      :)
      Cordiais saudações.

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