sexta-feira, 29 de abril de 2016

(In)Justiça


Óleo sobre Tela 30x40cm
"(In)Justiça"
Rui Pascoal - 2016


"...Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em ação, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste."...

(José Saramago)

17 comentários:

  1. Grande texto.
    Sei que há casos mediáticos pintados como de "injustiça", mas quer por carácter, quer por profissão, sei que há outro lado, a acredito que muitas vezes se conseguirá justiça.
    um beijinho e bom fim-de-semana
    Gábi

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  2. Independentemente da Justiça ou injustiça, gosto muito da pintura !
    Especialmente da expressão da mulher !

    Abraço, Rui !

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    1. Queres dizer que gostas de a ver sofrer?
      :)
      Cordiais saudações.

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  3. ~~~
    A sua justiça está belíssima e interessante e
    o texto de Saramago impecável e excelente!

    Sou libriana, muito sensível a qualquer tipo
    de injustiça e, dentro do que é justo, sou
    capaz de tudo para a defender.

    ~~ Dias de Maio muito felizes e aprazíveis.

    Beijinhos para a Ana do lindo sorriso e filha.
    Continuação de ótima inspiração.´
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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    1. Sejamos justos. Também tenho um lindo menino (com 30 aninhos).
      :)
      Obrigado Majo.
      Bem haja!

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    2. Não sabia, Rui.
      Felicidades e beijinhos para todos.
      ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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  4. Sem Justiça não há "igualdade", sobretudo se não se trata de uma justiça célere. Em Portugal, A Justiça é injusta ao promover a desigualdade , ao não permitir condições de igual acesso a todos os cidadãos.
    O excerto de Saramago é muito lúcido, e embora muitos não gostassem dele (uns talvez por umas razões, outros por outras razões), foi, na minha humilde opinião, dos homens mais eloquentes e criativos que tivemos nas últimas décadas. Admiro pessoas coerentes mesmo que com elas possa não concordar em tudo. Como escritor, absolutamente genial, embora algumas delas nem as tivesse conseguido ler até ao fim.
    O seu quadro é um belo exemplar do seu talento para a pintura, e gostei da expressão da "Justiça", sim. Porque gosto de figuras "sofredoras". :-)
    Parabéns, Rui.
    xx

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    1. Desculpe , Rui, queria dizer ; embora algumas das obras dele nem as tivesse....
      É o que dá estar a escrever aqui e a escrever para Dublin ao mesmo tempo!... ;-)

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  5. De tão célere que ela é... que às vezes que até caduca.
    Sempre houve ao longo dos tempos pessoas que se aproveitaram dos regimes e regimes que se aproveitaram das pessoas. Não quero julgar o homem, nem me interessa. A Obra que deixou fala por ele... e bem alto, no meu fraco entender.
    ...
    Se até eu já sinto saudades de Dublin, imagino a Laura...
    Vá, ganhe coragem, meta-se no avião, mate essas saudades.
    Ainda não a convenci? (último argumento)
    A Irlanda trata bem os poetas!
    :)

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  6. Gosto mais da tela do que do texto, confesso.
    Aquele abraço, boa semana

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  7. De Lei e Justiça entende o Pedro
    Nessas coisas eu nem me atrevo.
    :)
    Cordiais saudações

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  8. Olá, Rui.
    A tela retrata bem a mesma Justiça de que fala Saramago: está triste.
    Às vezes a Justiça deixa que lhe ponham uma venda, que troquem as medidas, que se atrase o tempo...
    A Justiça tem a mão dos Homens, como ser diferente? Trocamos tudo, viramos e reviramos tudo, até acabarmos de cabeça para baixo.

    abç

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    1. E eu lido tão mal com a injustiça e a tristeza, é a minha natureza...
      Cordiais saudações.

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  9. Adoro a pintura, Rui!... Mas acho que a justiça da pintura tem uma expressão tão leve e bonita... que quem dera corresponder à nossa realidade, em matéria de justiça... que corporiza uma pesada teia de leis... que não acompanham a nossa realidade... tornando-a pois, pesada e opressiva... e talvez um pouco antiquada... só a minha interpretação do meu conceito de justiça em Portugal... mas gostei do pormenor da balança desequilibrada... pois efectivamente, a justiça, apenas funciona para alguns... tal como existe actualmente...
    Um grande abraço!
    Ana

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    1. Se continuarmos a olhar para o lado, ou mesma para esta pintura, o fiel da balança continuará desequilibrado.
      Cordiais saudações.

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