sexta-feira, 5 de março de 2010

Poucos mas bons!

Mau feitio? Eu???

No Banco havia quem me chamasse Melga, Diabo da Tasmânia… Foi já há tanto tempo… nem me quero lembrar. Hoje, como no passado, penso que exageravam (os animais parecem até bastante inofensivos). Não venho queixar-me do tempo passado ou presente e dou-me já por feliz saber que não irá haver seca este ano.

Mas, por falar nisso (seca ou chuva intensa neste caso para mim é o mesmo), ando a ficar que nem um Abade (nada tem a ver com excesso de peso), cheio, enfartado, (com tanto email na caixa de correio) que começo a perder o apetite. Como é sabido, fartura a mais cansa, deixa de saber bem.

É por isso que prefiro poucos mas bons. E vocês?

terça-feira, 2 de março de 2010

Kikia Matcho

As minhas mais recentes leituras prendem-se com uma pequena colecção de conceituados autores lusófonos que a revista Visão lançou.

Deste escritor guineense Filinto de Barros, que desconhecia por completo, li Kikia Matcho, romance/caricatura sobre os donos do poder ao longo dos tempos (sejam eles brancos, mulatos ou pretos). Aqui ficam pequenos excertos dessa obra:

“A força, a mentira baptizada de astúcia e o roubo encoberto pelo espírito messiânico de cristianizar os infiéis…”

“O discurso revolucionário de tudo fazer em nome do povo dera lugar ao com o poder não se brinca”.

“Os memos erros, os mesmos desejos de posse e mando, de desinteresse pela condição humana e as mesmas mentiras em nome das massas populares…”

“Os miúdos foram à guerra para correr com os brancos! Nós preparámos o caminho aos nossos filhos para nos livrarem dos brancos! Os brancos partiram, mas os nossos miúdos transformaram-se em brancos!”

“Ninguém era pobre num ambiente de pobreza. As pessoas pareciam felizes com o que tinham e ninguém exigia, por não ter conhecimento do que exigir”.

“É assim a África, o continente da vida, o continente que em vez de repudiar as influências externas acaba por as assimilar, transformá-las e fazer delas traços culturais à sua maneira”.

Boas leituras!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Basílio Artur Pereira

Pessoa simples, leiriense como poucos, uma das referências desta cidade, foi o último alcaide do castelo. Homem completo inteiro perfeito.

Sr. Basílio, esta é a imagem que guardarei de si.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A Parábola do Cágado Velho (Pepetela)

Sábado, tarde com chuva e muito vento. Foi óptimo ficar em casa a ler este livro sobre (o amor, a guerra civil em Angola, as tradições e os novos tempos) África.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sabor a Café

Chamem-lhe mania, capricho, teimosia, o que quiserem. Sou de ideias fixas, nem sempre é bom, reconheço. Ao entrar no café, neste ou em qualquer outro, previamente tento ter uma visão geral do conjunto, como o jogador de xadrez que estuda e analisa o lance antes de mover a peça para não ser surpreendido pelo adversário. Há quem lhe chame estratégia, outros, simplesmente um mal, uma lesão, que afecta sobretudo os precoces reformados.

E foi precisamente esta, a mesa onde me encontro, a escolhida. Daqui posso visualizar não só toda a sala, quem entra ou sai, mas também o movimento na rua. Estou como peixinho dentro de água, ou melhor, como ave de rapina a planar lá nas alturas. A verdade é que me sinto a ser levado, arrastado, para longe por fortes correntes, de água, ar, pensamento.

O olhar vivo e interrogativo do casal ao meu lado quando entrei, homens alegres numa discussão animada sobre o desempenho da equipa de futebol ontem à noite, noutra mesa mais distante um grupo de velhos que ri animadamente iludindo mazelas e anos, em frente o balcão com os clientes mais apressados, a empregada com seu sorriso que a todos dá e alegra, os estudantes despreocupados alheados dos livros e das horas, a vistosa e envaidecida que se mira no vidro e nos olha para comprovar seus dotes, as pessoas lá fora que passam rápidas como a vida.

Fosse eu um artista faria um quadro a que chamaria simplesmente, sem mais nem menos, Sabor a Café. O açúcar, esse, fica ao vosso gosto.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Erotismo...

Dei comigo a pensar… será a idade (ou não) que nos apura o paladar e requinta o gosto?

Confesso que já o tentei fazer à luz das velas, mas, apesar da concentração e empenho, o resultado não foi, não é, nem poderá vir a ser o mesmo que feito às claras.

Vou revelar-vos o meu segredo. Normalmente é durante o dia que o faço, me deleito, e obtenho maior prazer. Mas como sempre, a companhia conta e muito. Por isso há que saber escolhê-la bem!

Para os mais distraídos (e só para esses) era de livros que me referia, mais concretamente ao último que li, “Os Cadernos de Dom Rigoberto”, de Mário Vargas Llosa. Sugestão que aqui deixo apenas e só para os que gostam de pintura, desenho, escultura, música, literatura, ou simplesmente de um acepipe bem apaladado (q.b).

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Paixões e Exposições

Decididamente, hoje não era dia de caça. Ao sair de casa pela manhã, alheado do calendário cinegético, parti decidido a matar dois coelhos de uma só cajadada, isto é, alimentar o estômago e também o espírito, por esta ordem, uma vez que de barriga vazia a cultura não me assenta assim tão bem.

Se o cabrito assado era o problema não foi difícil resolvê-lo.Com as continhas feitas e prova dos nove tirada, devidamente aconchegado e mais confiante, apontei mira e disparei rumo às Cortes, mais precisamente à Casa Museu João Soares. Não falhei o tiro nem este me saiu pela culatra.

Chegado lá fui surpreendido com “Recortes de Uma Paixão”, livro do meu pai sobre 50 anos de jornalismo que se encontrava exposto numa das vitrinas. Só depois fui ver as Exposições Korrodi e o restauro do Castelo de Leiria (temporária) e as permanentes, A Crise do Sistema Liberal (1890-1926), Ditadura Militar, Estado Novo e Resistência (19926-1974) e Revolução e Democracia (1974-1996).

Gostei do que vi e recomendo-vos. Prometi voltar.