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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Droga e Prostituição

Com o aumento do desemprego em Portugal este flagelo não pára de crescer. Tentar “tapar o sol com a peneira” em vez de o resolver, agrava-o. Parece-me. Não poderíamos nós ser como a Holanda, mais liberais e tolerantes? 

Se acham que isto não é música para os vossos ouvidos... esqueçam.



sexta-feira, 11 de março de 2011

As Quatro Estações do David e do Vivaldi





Sugestão para o fim-de-semana: este livro de contos de David Mourão Ferreira. Vera, Wanda, Beatriz e Erika, quatro personagens femininas que representam as quatro estações do ano, i.e., a Vida. 





(para abrir o apetite)

“...Não deixava de me agradar, como preâmbulo, aquele prometedor emprego de reticências. O mais detestável nas mulheres que já ultrapassaram os quarenta, costuma ser, durante o exórdio, o abuso dos dois pontos; e o ponto de exclamação, esse apenas se tolera até aos vinte e cinco. Mas as reticências, em qualquer idade, são ainda o melhor: pedras soltas colocadas no leito do rio, entre as duas margens, que por um lado facilitam a travessia e por outro lhe dão um semblante de aventura. Só mais tarde, se for caso disso, é que verdadeiras pontes devem ser lançadas. Há que nos contentarmos, de princípio, em ir saltando de pedra em pedra. Assim passei do vestíbulo para a sala de estar...”

(depois deixe-se relaxar com a música...)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Já só falta um...





A passo, a trote, ou a galope da música, tudo vale para ultrapassar barreiras e encurtar a distância. 



Dedicatória

A ti para que não julgues
Que a dedico a outra

Almada Negreiros

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dois...



"Foi Um Sonho Que Tive"

Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.

O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão
E a estrela ia subindo azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.


Miguel Torga

domingo, 19 de dezembro de 2010

Três...



Não sou nada. 
Nunca serei nada. 
Não posso querer ser nada. 
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Alvaro de Campos

sábado, 18 de dezembro de 2010

Quatro...



La vida es sueño

…
Yo sueño que estoy aquí
destas prisiones cargado,
y soñé que en otro estado
más lisonjero me vi.
Qué es la vida? Un frenesí.
Qué es la vida? Una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño:
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son.

Calderón de la Barca

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Cinco...



E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Seis...



Creio nos anjos que andam pelo mundo

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen

Natália Correia

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sete...




Confiança

O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...

Miguel Torga

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Oito...


AUSÊNCIA

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

                          Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Nove...




O Segredo é Amar


O segredo é amar. Amar a Vida 
com tudo o que há de bom e mau em nós. 
Amar a hora breve e apetecida, 
ouvir os sons em cada voz 
e ver todos os céus em cada olhar. 

Amar por mil razões e sem razão. 
Amar, só por amar, 
com os nervos, o sangue, o coração. 
Viver em cada instante a eternidade 
e ver, na própria sombra, claridade. 

O segredo é amar, mas amar com prazer, 
sem limites, fronteiras, horizonte. 
Beber em cada fonte, 
florir em cada flor, 
nascer em cada ninho, 
sorver a terra inteira como o vinho. 

Amar o ramo em flor que há-de nascer, 
de cada obscura, tímida raiz. 
Amar em cada pedra, em cada ser, 
S. Francisco de Assis. 

Amar o tronco, a folha verde, 
amar cada alegria, cada mágoa, 
pois um beijo de amor jamais se perde 
e cedo refloresce em pão, em água! 

Fernanda de Castro

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dez...



Pobre Velha Música!


Pobre velha música! 
Não sei por que agrado, 
Enche-se de lágrimas 
Meu olhar parado. 

Recordo outro ouvir-te, 
Não sei se te ouvi 
Nessa minha infância 
Que me lembra em ti. 

Com que ânsia tão raiva 
Quero aquele outrora! 
E eu era feliz? Não sei: 
Fui-o outrora agora. 

Fernando Pessoa

sábado, 11 de dezembro de 2010

Onze...


Mãos

Benditas sejam as mãos
Que tecem os fios da vida…
Mãos que oram e pedem;
Mãos que oferecem guarida;
Mãos que aproximam
E mãos que agradecem;
Mãos que a dor aliviam
E mãos que curam feridas;
Mãos que aplaudem
E mãos que acariciam;
Mãos que escrevem sábios dizeres
E mãos que pintam poesia;
Mãos que tocam as cordas
Sensíveis do coração;
Mãos que trabalham e suam,
Mãos que plantam o trigo,
Mãos que fazem o pão…
Benditas sejam, ó mãos, que regem
A grande orquestra da Vida!
Alencar Medeiros