“-Temo por Vossa Alteza, reverendíssimo Senhor – alertava-o o embaixador Álvaro de Castro – ao aceitares a administração de um império cujo rei é pupilo, que nunca padeceu tantas necessidades como as de agora e cuja gente está tão pervertida que será mui dificultoso reformá-la. A corrupção que em Portugal se manifesta em todo o género de cousa mostra quão necessário é plantar novo reino, novos homens, novas leis, novos costumes.
- Como é possível que, possuindo nós todas as riquezas do Mundo, sejamos os mais pobres dele? – escandalizava-se ainda Pires de Távora. – A agricultura, que em toda a parte se estima o nervo principal das nações, aqui olha-se como insignificante ou inútil. Além do mais, os portugueses vivem adormecidos de alma e corpo, na indolência e gastando acima das suas posses.”
(Excerto do livro “D. Sebastião e o Vidente”, de Deana Barroqueiro, que ando actualmente a ler).
Enquanto outros a esta hora lutam pelo amanho da Fazenda eu vou retirar-me sorrateiramente para o meu horto que não me engana e paga a horas certas.
Neste meu quintal os passaritos têm sempre que comer cantam e são felizes, enquanto no outro... esvoaçam bandos de passarões esfomeados que não deixam sequer as sementes crescer.






