domingo, 3 de maio de 2015

Dia da Mãe


"Pequeno Poema"

Quando eu nasci, 
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias, 
nem o Sol escureceu, 
nem houve estrelas a mais... 
Somente, 
esquecida das dores, 
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci, 
não houve nada de novo 
senão eu.

As nuvens não se espantaram, 
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme, 
bastava 
toda a ternura que olhava 
nos olhos de minha Mãe...

(Sebastião da Gama, in 'Antologia Poética')

.......

Hoje, com 90 anos, a minha mãe ainda mantém este bonito sorriso. 

terça-feira, 28 de abril de 2015

O sorriso, precisa de aviso?




O Sorriso

Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.


(Eugénio de Andrade )



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Dia do ósculo?




Não tem que ser (só) hoje, mas.... considerem-se todos devidamente osculados.

:)


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Original(mente)




"... Olhem sempre em frente, olhem o Sol, não tenham medo de errar, sendo originais, iconoclastas e anti, o mais anti que puderem, e verdadeiros, fugindo aos velhos caminhos trilhados de pé posto e a todas as conjuras dos velhos do Restelo. Cultivem a inquietação como fonte de renovamento"

(Aquilino Ribeiro)


sexta-feira, 27 de março de 2015

Leiriartes




Eu vou. Não querem aparecer por lá?

Bom fim de semana!


segunda-feira, 23 de março de 2015

Verão


Óleo sobre Tela - 30x40cm
"Verão"
Rui Pascoal - 2015


"...Olha o Verão que já não tarda
disse-me à tarde o teu peito
por mais frutos que ele traga
não há nenhum tão perfeito..."


(David Mourão Ferreira)


quinta-feira, 19 de março de 2015

Dia do Pai


Hoje e sempre, grato eternamente.

........


O habitante
(ao meu pai)


Se partiste, não sei.
Porque estás,
tanto quanto sempre estiveste.

Essa tua,
tão nossa, presença
enche de sombra a casa
como se criasse,
dentro de nós,
uma outra casa.

No silêncio distraído
de uma varanda
que foi o teu único castelo,
ecoam ainda os teus passos
feitos não para caminhar
mas para acariciar o chão.

Nessa varanda te sentas
nesse tão delicado modo de morrer
como se nos estivesse ensinando
um outro modo de viver.

Se o passo é tão celeste
a viagem não conta
senão pelo poema que nos veste.

Os lugares que buscaste
não têm geografia.

São vozes, são fontes,
rios sem vontade de mar,
tempo que escapa da eternidade.

Moras dentro,
sem deus nem adeus.


Mia Couto, in vagas e lumes.