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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Dia Poético



DIA POÉTICO

Que lindo dia
De poesia
Se pôs!
A manhã baça,
O jornal carrancudo,
E, de repente, tudo
Cheio de luz e graça!

E que não há milagres!
Há mas são destes, que não provam nada…

É uma pena
Que a nossa alma seja tão pequena,
Ou já esteja ocupada.


(Miguel Torga , Diário Vols. I a VIII)

...


O mais simples fez-se, agora vamos passar à fase das compotas.
Sorte é ter quem me ajude… ou pensavam que o doce era só para mim?
:)

Bom fim de semana!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A Gaivota



Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre O´Neill






sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Portugal, andas tão mal...



País de azulejos partidos
de erva trepando entre paredes em ruína
País entregue à sua sina
sem olhos e sem ouvidos
  
País voraz ruminando o almoço
rindo ou chorando incapaz de sorrir
País de corpo aberto a quem está a seguir
País do rastejar entre a pele e o osso

Pulinhos para trás e para a frente
de polegar na cava do colete
foguetes procissões uns copos de palhete
país da pequenez de si mesma contente

País indiferente aos que dão por ele a vida
País herói se não há perigo em sê-lo
País de velhos do Restelo
dado à mão-baixa perto e consentida

País que tudo quer e nada quer tudo suporta
País do faz como vires fazer
País do quero lá saber
do quem vier depois que feche a porta

 MÁRIO DIONÍSIO
Terceira Idade

(1982)

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Este nó na garganta...


Ó camponês,
não me dês
os bons-dias.
Nem tires o chapéu
à morte dos dias.

Berra!

Não queiras o céu
antes da terra.
  

(José Gomes Ferreira)


quarta-feira, 23 de julho de 2014

PORTUGAL


PORTUGAL

Este verde azul cinzento
este sol esta bruma este
sabor a Atlântico por dentro
do vento oeste.

Este não haver regresso
do verbo navegar.
País avesso
Só mar.

In Obra Poética de Manuel Alegre

terça-feira, 22 de julho de 2014

A boca




 A boca,
onde o fogo
de um verão
muito antigo cintila,
a boca espera
(que pode uma boca esperar senão outra boca?)
espera o ardor do vento
para ser ave e cantar.

Levar-te à boca,
beber a água mais funda do teu ser
se a luz é tanta,
como se pode morrer?

(Eugénio de Andrade)

segunda-feira, 21 de julho de 2014

"Melhor é experimentá-lo que julgá-lo..."

Aos vinte anos de idade, vá-se lá saber porquê..., imaginava a “Ilha dos Amores” assim:


Pinhal de Leiria



"Ó que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã, e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo."

in "Os Lusíadas", Canto IX  (Luis de Camões)

 ............


(Há coisa de dois meses, encontrei, na Feira de Velharias em Leiria, a 6ª edição do livro “para compreender Os LUSIADAS”, da autoria da minha saudosa professora Amélia Pinto Pais. Ao trazê-lo para casa, atrás de um livro outro livro vem, fui-me à estante e zás, dei comigo a ler essa epopeia. Naquele tempo, falo por mim, não tinha maturidade para entender o Poema, era uma tortura das antigas... hoje, "o antigo" e "o Velho do Restelo", sou eu.)